Marcha do Progresso...

Marcha do Progresso                "Allan Kardec"

Sendo o progresso uma condição da natureza humana, ninguém tem o poder de se opor a ele.

É uma força viva que as más leis podem retardar, mas não asfixiar. Quando essas leis se tornam de modo incompatíveis com o progresso, ele as derruba, com todos os que as querem manter, e assim será até que o homem harmonize as suas leis com a justiça divina, que deseja o bem de todos, e não as leis feitas para o forte em prejuízo do fraco.

O homem não pode permanecer perpetuamente na ignorância, porque deve chegar ao fim determinado pela Providência; ele se esclarece pela própria força das circunstâncias. As revoluções morais, como as revoluções sociais, se infiltram pouco a pouco nas idéias, germinam ao longo dos séculos e depois explodem subitamente, fazendo ruir o edifício carcomido do passado, que não se encontra mais de acordo com as necessidades novas e as novas aspirações.

O homem geralmente não percebe, nessas comoções, mais do que a desordem e a confusão momentâneas, que o atingem nos seus interesses materiais, mas aquele que eleva o seu pensamento acima dos interesses pessoais admira os desígnios da Providência que do mal faz surgir o bem. São a tempestade e o furacão que saneiam a atmosfera, depois de a haverem revolvido. (*)

(*) Como se vê, por este comentário de Kardec e pelas explicações dos espíritos, o Espiritismo reconhece a necessidade desses movimentos periódicos de agitação natural, quer dos elementos, quer dos povos, para realização do Progresso. Mas os admite como fatos naturais e não como criações artificiais a que os homens devam dedicar-se, em obediência a doutrinas revolucionárias. O que ele ensina é que o homem deve colocar-se, nesses momentos, acima de seus mesquinhos interesses pessoais para ver em sua amplitude a marcha irresistível do progresso.

“O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec Livro III Capítulo VIII

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