| Ainda
menino aprendeu a se manter calmo e calado em momentos
de sofrimento, pois sofria agressões de sua madrinha,
nestes momentos se dirigia ao quintal da casa a fim de
reencontrar sua mãe, ele sempre a via e a escutava
após fazer orações.
Algum tempo depois seu pai se casou novamente com uma
mulher boa e caridosa. Ainda em dificuldade sua madrasta
iniciou uma horta em casa e logo, para o sustento da família,
começaram a vender legumes, com o dinheiro Chico
Xavier voltou a freqüentar a escola em 1919.
Quando
saiam todas as pessoas da casa, uma de suas vizinhas começou
a roubar os legumes da horta, e isso estava causando problemas
para a família de Chico; sua madrasta sugeriu então,
que Chico consultasse sua mãe ,que deu o seguinte
conselho: disse que não deveriam brigar com os
vizinhos e que toda vez que sua madrasta se ausentasse,
que desse a chave da casa à vizinha, para que ela
tomasse conta da casa. Dessa forma, a vizinha, responsável
, não roubou mais os legumes.
Passado
os problemas, Chico não via mais sua mãe
com tanta freqüência, mas começou a
ter sonhos e se levantava durante a noite para falar com
pessoas invisíveis, e pela manhã contava
histórias de pessoas que já haviam morrido.
Sem que conseguisse compreender, seu pai o levou até
um vigário, que disse que um demônio estava
perturbando o menino.
Ao
conversar com sua mãe, triste por não ser
compreendido por ninguém, escutou dela que precisava
modificar seus pensamentos, que não deveria ser
uma criança indisciplinada, para não ganhar
antipatia dos outros. Deveria aprender a se calar e que,
quando se lembrasse de alguma lição ou experiência
recebida em sonho, que ficasse em silêncio.
E
durante 7 anos consecutivos, de 1920 a 1927, ele não
teve mais qualquer contato com sua mãe. Seguia
a religião católica participando dos ritos.
Em 1923 concluiu o ensino primário, e começou
a trabalhar numa fábrica. Em 1925 deixou a fábrica,
empregando-se na venda do Sr. José Felizardo Sobrinho.
Os
sonhos continuavam, e logo depois de dormir entrava em
transe profundo. Em 1927 sua irmã ficou doente,
e um casal de espíritas, reunido com familiares
da doente, realizaram a primeira sessão espírita
que teve lugar na casa. Na mesa, dois livros: "O
Evangelho Segundo o Espiritismo" e o "O Livro
dos Espíritos", de Allan Kardec. Pela mediunidade
de D. Carmem, sua mãe manifestou-se: "Meu
filho, eis que nos achamos juntos novamente. Os livros
à nossa frente são dois tesouros de luz.
Estude-os, cumpra com seus deveres e, em breve, a bondade
divina nos permitirá mostrar a você seus
novos caminhos. "
Sua
professora D. Rosália descobriu sua mediunidade
psicográfica, vendo os textos que Chico escrevia
após passeio feito nos campos, ela notava que Chico
sempre tirava as melhores notas, e escrevia uma verdadeira
página literária sobre o amanhecer e daí
tirando conclusões evangélicas.
Rosália
mostrou aos amigos íntimos a composição
e todos foram unânimes em reconhecer que aquilo,
se não fora copiado, era então dos espíritos.
Ao entrar para o funcionalismo público, como datilógrafo,
na Fazenda Modelo do Ministério da Agricultura,
começa a demonstrar sua admiração
pela natureza.
Distante
da cidade, Chico entra cada vez mais em contato com a
natureza. Vê em tudo poesia e oração,
trata as árvores como irmãs e compreende
como poucos, a alma do grande todo.
Em
maio de 1927 foi realizada a primeira sessão espírita
no lar dos Xavier, em Pedro Leopoldo. Em junho do mesmo
ano foi cogitada a fundação de um núcleo
doutrinário. E no final de 1927 o Centro Espírita
Luiz Gonzaga, sediado na residência de José
Cândido Xavier, que se fez presidente da instituição,
estava bem freqüentado.
As
reuniões se realizavam às segundas e sextas-feiras.
A nova sede do Grupo Espírita Luiz Gonzaga foi
construída no local onde se erguia, antigamente,
a casa de Maria João de Deus, mãe de Chico
Xavier.
No
dia 8 de julho de 1927, Chico Xavier fez a primeira atuação
do serviço mediúnico, em público.
Seu primeiro livro psicografado foi publicado em 1931.
No mesmo ano Chico passou a receber as primeiras poesias
de "Parnaso de Além - Túmulo",
que foi lançado em julho de 1932. Em 1950, Chico
Xavier havia recebido, pela sua psicografia, mais de 50
ótimos livros..
O
primeiro contato de Chico Xavier com Emmanuel foi em 1931.
Buscando um refúgio tranqüilo para meditar
e orar, o médium vai até um açude,
situado nas proximidades de Pedro Leopoldo e lá
se depara com a figura imponente de um ser vestido com
túnica típica dos sacerdotes. Era Emannuel
que se apresentou a Chico dentro de uma cruz que emitia
reflexos dourados, explicando que o acompanhava, o tutelava
há muito tempo:
- Tenho seguido seus passos, e só hoje me vês,
na tua existência de agora,
mas, os nossos espíritos se encontram unidos pelos
laços mais santos da vida e o sentimento afetivo
que me impele para o teu coração tem raízes
na noite profunda dos séculos.
A
aparição de Emannuel, tinha entretanto,
um objetivo determinado: o de
fazer com Chico iniciasse um longo trabalho de psicografia
de textos espíritas. Para isso o espírito
lhe fez algumas exigências:
- Está mesmo disposto a trabalhar na mediunidade?
-
Sim, se bons espíritos não me abandonarem.
-
Você não será desamparado, mas, para
isso é preciso que trabalhe, estude e se esforce
no bem.
-
O senhor acha que estou em condições de
aceitar o compromisso?
-
Perfeitamente, desde que respeite os três pontos
básicos para o serviço.
Diante
do silêncio do desconhecido, Chico indagou:
- Qual o primeiro ponto?
- Disciplina
-
E o segundo?
- Disciplina
-
E o terceiro?
- Disciplina
Chico
Xavier concordou com as três exigências, mas,
Emannuel ainda iria lhe indicar novos procedimentos:
- Temos algo a realizar. Trinta livros para começar.
Tal
exigência entretanto, assustou Chico. Trabalhando
como caixeiro no armazém de Felizardo Sobrinho,
ele mal tinha condições de sustentar os
14 irmãos, já que seu pai era um simples
vendedor de bilhetes de loteria.
Como, então, escrever e publicar 30 livros se nem
dinheiro para comprar papel e lápis tinha? Emannuel
o tranquilizou:
- Os livros chegarão por caminhos inesperados.
Após
esse primeiro contato, Emannuel passou a ter uma relação
muito estreita com Chico Xavier. Foi responsável
pela produção, através do médium,
das mais variadas páginas, sobre os mais diversos
assuntos.
Assumindo a posição de guia espiritual,
orientou-lhe os passos, exigindo-lhe, sempre uma postura
austera.
Se tornou conhecido no Brasil e no mundo inteiro. O Parnaso
de Além Túmulo, por si só, valia
pelo mais legítimo dos documentos, validando-lhe
o instrumental mediúnico, o mais completo e seguro
que o Espiritismo tem tido para lhe revelar a verdade.
Em
5 de janeiro de 1959 mudou-se para Uberaba, sob a orientação
dos Benfeitores Espirituais, iniciando nessa mesma data,
as atividades mediúnicas, em reunião pública
da Comunhão Espírita Cristã. Deu
ele, então, início à famosa peregrinação.
Aos sábados, saindo da "Comunhão Espírita-Cristã",
o bondoso médium visitava alguns
lares carentes, levando-lhes a alegria de sua presença
amiga, acompanhado por grande número de pessoas.
A
cidade de Uberaba, desde a sua vinda para cá, transformou-se
num pólo de atração de inúmeros
visitantes das mais variadas regiões do Brasil,
e até mesmo do exterior, que aqui aportam com o
objetivo de conhecer o médium.
Seu
trabalho sempre consistiu na divulgação
doutrinária e em tarefas assistenciais, aliadas
ao evangélico serviço do esclarecimento
e reconforto pessoais aos que o procuram. Os direitos
autorais de seus livros publicados, em torno de 340, são
cedidos, gratuitamente, às editoras espíritas
ou a quaisquer outras entidades.
Quanto
à fortuna material, ele continua tão pobre
quanto era. Chico era um homem aposentado e recebia somente
os proventos de sua aposentadoria. Do ponto de vista espiritual,
Chico Xavier é, a cada dia que passa, um homem
mais rico: multiplicou os talentos que o Senhor lhe confiou,
através de seu trabalho, de sua perseverança
e da sua humildade em serviço.
Mesmo
com a saúde debilitada, Chico Xavier continuou,
a sua condição de um autêntico missionário
do Cristo, continuou a comparecer às reuniões
do Grupo Espírita da Prece.
No
dia 30 de junho de 2002, enquanto os Brasileiros comemoravam
a conquista de um campeonato mundial de futebol; em Uberaba,
Minas Gerais, Chico Xavier desencarna.
Fonte :
Sites: www.minuto.poetico.nom.br/chico04 |