Biografias



Allan Kardec

Allan Kardec

Hippolyte Léon Denizart Rivail nasceu em Lion, França no dia 3 de outubro de 1804, e desencarnou em 31 de março de 1869, em Paris. Desde cedo interessou-se por todas as causas que envolvessem o bem coletivo. A sua paixão pelos métodos de ensino, de acordo com a escola de Pestalozzi, de quem foi discípulo, o fez uma autoridade bem conceituada sobre assuntos educacionais, na Europa.

Em meados do século, em várias localidades, um estranho fenômeno começou a ser difundido em diversas reuniões da sociedade: o das mesas girantes. Nelas, os participantes faziam perguntas e, inexplicavelme
nte, as mesas, sem nenhuma interferência material, andavam e saltavam, respondendo pequenas perguntas que lhes eram feitas.
Allan Kardec, com um raciocínio altamente científico, observou que o objeto em si não poderia se mover, muito menos ter algum tipo de inteligência. Algo muito importante se manifestava e, a partir daí, resolveu pesquisar e encontrar as respostas, o que fez até o fim de sua vida.
Quando descobriu a seriedade de tal empreendimento, avisado que fora então pelos próprios espíritos comunicantes, resolveu utilizar o pseudônimo de Allan Kardec, para que não se confundisse seu trabalho humano com esse, muito mais importante: o de ser o codificador dos espíritos comandados pelo “Espírito da Verdade”, trazendo uma nova luz sobre os ensinamentos de Jesus. Cumprindo assim a promessa do Cristo, chegara o consolador prometido.

Kardec,através de diversas reuniões mediúnica, sempre utilizando médiuns respeitados e equilibrados, e usando toda sua técnica de pesquisador e educador, reuniu e codificou, em alguns livros, todo o seu trabalho.
São eles: O Livro dos Espíritos, a parte filosófica (1857), O Livro dos Médiuns, a parte experimental e científica (1861), O Evangelho Segundo Espiritismo, a explicação das máximas morais do Cristo (1864), O Céu e o Inferno, o exame comparado das doutrinas acerca da passagem da vida corporal à vida espiritual, e a Gênese, a criação do mundo e as predições (1868).

Todo aquele que deseja conhecer o Espiritismo tem, nesses volumes, leitura e estudo indispensáveis.

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Francisco de Assis

Francisco de Assis- O apóstolo do Amor e da Fraternidade

Francisco de Assis tornou-se para a humanidade um dos maiores exemplos de fraternidade, bondade e humildade. A grandeza de sua missão ultrapassa todos os limites das palavras, referências escritas ou crenças religiosas.
Encarnou junto a outros missionários com o propósito de trazer o equilíbrio e a ponderação às igrejas, em uma época dominada pelas forças trevosas da inquisição e das cruzadas, a Itália como toda a Europa daquele tempo, vivia uma fase bastante conflituosa.
Nasceu em 26 de setembro de 1182, na cidade de Assis, província da Úmbria no centro da Itália, como filho de Pedro Bernardone, um rico comerciante de tecidos da região, homem rústico e impiedoso e de Maria Picalline, uma mulher doce e dedicada ao lar. Apesar do luxo da casa, conta-se que sua mãe ao enfrentar grandes complicações durante o parto e até perigo de vida, teria recebido uma intuição para que tivesse o filho no estábulo da casa, junto aos animais, seguindo o exemplo do Mestre Jesus, e aproveitando a ausência de seu marido em longas viagens de trabalho, assim procedeu. Chegou ao mundo aquele que se tornaria o missionário da paz.

A conversão de Francisco
Francisco cresceu em meio à riqueza e ao incentivo do pai para que desfrutasse dos bens que o dinheiro e o poder poderiam lhe proporcionar. Para não criar maiores problemas com o inflexível Sr. Bernardone, Francisco passou a freqüentar a sociedade e a viver os prazeres terrenos, mas sua alma desejava ardentemente encontrar seu caminho espiritual.
Enfrentou a prisão no período de guerra entre a região de Assis, sua cidade natal e Perugia, onde todos os habitantes foram convocados para a defesa. De volta a liberdade decidiu ser cavaleiro por acreditar que poderia desta forma defender sua pátria, mas sempre orientado pelo plano espiritual não prosseguiu na idéia. Novos rumos foram surgindo.

Como fora acostumado aos princípios da igreja de Roma, as manifestações mediúnicas não foram compreendidas prontamente. Resolveu então meditar e orar para tentar desvendar o sentido das “vozes interiores”, que ouvia constantemente. Em uma de suas meditações, pediu com toda sua fé que Deus lhe direcionasse os passos. Logo recebeu uma comunicação dizendo: “Constrói a minha igreja, com o objetivo de restabelecer o sentido dos fundamentos do Evangelho dentro dela, ao invés de guerras e sangue em nome da religião”. A princípio não entendendo o alcance do chamado e vendo que a igreja de São Damião, que freqüentava necessitava urgentemente de reforma, regressou para Assis, entrou na loja paterna, e vendeu finos tecidos levando o dinheiro obtido para as mãos do sacerdote da capela, oferecendo-se para ajudá-lo na reconstrução com suas próprias mãos. Como resultado de sua atitude impetuosa foi repudiado e deserdado pelo pai, que passou a duvidar de seu estado mental e convencido de que a decisão do filho não teria volta, decidiu recorrer ao Bispo, instaurando-se um julgamento, para que lhe devolvesse tudo quanto recebera dele. Francisco então se desfez de tudo até ficar nu, jogou os trajes e o dinheiro aos pés de seu pai, e exclamou: "Até agora chamei de pai a Pedro Bernardone. Doravante não terei outro pai, senão o Pai Celeste".

A verdadeira construção da igreja
Trabalhou durante um longo tempo, achando que deveria reconstruir a igreja no sentido material e ao término da restauração da última igreja do local, a capelinha de Santa Maria, passou a questionar o que faria depois. Certa ocasião durante uma missa escutou o padre contando uma das passagens contidas no Evangelho dizendo: “Nada leveis para o caminho, nem bordão, nem pão, nem dinheiro, nem deveis ter duas túnicas” ( Lucas 9,3). Francisco a partir deste exato momento exclamou cheio de alegria: “É isso precisamente que quero! É isso que desejo de todo o coração!”. Finalmente descobriu que mais do que restaurar o concreto material, deveria restabelecer o verdadeiro sentido da palavra de Jesus.
Abandonou a família os bens terrestres e em sua escolha recebeu apoio e admiração de uns e de outros o desprezo. Mas com suas palavras doces e sábias, foi conquistando muitos amigos e seguidores, apesar da resistência do clero, todos que o ouviam se enchiam de novas esperanças e ficavam extasiados diante de um homem aparentemente franzino e frágil, capaz de com o poder da sua fé e de um simples toque de suas mãos amorosas curar chagas de leprosos e doentes da alma.
Trabalhou incessantemente sem jamais aceitar nenhum reconhecimento, nem mesmo promoção eclesiástica. O movimento franciscano começou a desenvolver-se como uma ordem religiosa, com um número de membros tão grande que foi necessária a criação de províncias, grupos de frades foram encaminhados por toda extensão da Itália e fora dela.

O encontro de Francisco e Clara de Assis
Ainda durante o período de captação de recursos para as obras da igreja, Francisco pedia ajuda cantando canções tão lindas que chegavam a causar sensação de grande emoção nos expectadores. Em uma dessas ocasiões, durante uma missa dominical, duas belas moças pararam para escutar as músicas do pedinte, quando ele se dirigiu a menina Clara e disse: “ Vinde e ajudai-me na reconstrução da igreja de São Damião, que será no futuro, mosteiro de senhoras cuja vida e fama há de dar glória à igreja e ao nosso Pai Celeste”.
Naquele momento a força do passado unia novamente duas almas afins, que em seu grau de elevação maior escolheram a condição de um amor sem apegos terrenos para vivê-lo de forma pura e verdadeira na caridade.
Clara de Assis que compartilhava dos mesmos ideais de amor e doação ao próximo, tornou-se a primeira religiosa franciscana, fundou a Ordem das Clarissas e foi responsável pela continuidade do ideal de Francisco.
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Reconhecimento da igreja
No ano de 1210, Francisco e seus seguidores viajaram confiantes até Roma para buscar a aprovação do Papa Inocêncio III. Nessa ocasião, o Bispo de Assis, grande admirador de Francisco ajudou a convencer o papa a recebê-lo. Apesar da resistência inicial, marcaram uma segunda audiência. Na mesma semana o Papa recebera em sonho uma revelação. Reconheceu que era o próprio Deus quem inspirava Francisco a viver os ensinamentos do Cristo tão verdadeiramente, concedendo-lhe autorização para pregar o Evangelho nas igrejas, marcando o nascimento oficial da Ordem Franciscana.

A prova final e seu desencarne
Trabalhou durante anos na tarefa de doação e propagação dos ensinamentos de Cristo. Com o tempo suas
forças físicas foram-se exaurindo e pressentindo a proximidade de seu desencarne recolheu-se no Monte Alverne para sentir, mais de perto, a presença de Deus. Em sua humildade e resignação, pediu aos espíritos superiores que lhe concedessem provar ainda mais o poder de sua fé, e que para isso o deixassem passar pelas dores físicas, as mesmas chagas de cravos e espinhos abertas no corpo de Jesus. Assim procedeu, direcionando cada passo de penitência sem exitar e reclamar.
Após cumprir bravamente as provas do corpo, Francisco de Assis, o doce servo de Jesus, partiu para o plano espiritual em 3 de outubro de 1226, mas permanecerá eternamente vivo no coração daqueles que buscam o aprimoramento espiritual.

Bezerra de Menezes

Nome Completo: Dr. Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti
Data de Nascimento: 29 de Agosto de 1831
Natural: Riacho do Sangue – CE
Profissão: Médico, Político (vereador, prefeito, deputado e senador) e Redator.
Família:
1ª. Esposa – D. Maria Cândida de Lacerda (desencarnou em 24 de março de 1863), com quem teve dois filhos.
2ª. Esposa – D. Cândida Augusta de Lacerda Machado com quem teve sete filhos
Desencarne: 11 de abril de 1900.

Bezerra de Menezes como era conhecido, era descendente de família antiga do Ceará, que era ligada ao militarismo e a política, foi educado na religião católica. Sua família se muda para o Rio Grande do Norte em 1842, decorrente de perseguição política. Sendo Bezerra de Menezes muito inteligente, fez dois anos de língua de latinidade antiga de modo que chegou a substituir o professor.
Em 1946 volta com sua família para o Ceará onde conclui seus estudos preparatórios no Liceu, como primeiro aluno.
Em 1952 foi para o Rio de Janeiro onde ingressou como estudante de medicina no Hospital da Santa Casa de Misericórdia. Para custear os estudos, dava aulas particulares de Filosofia e de Matemática. Conseguiu às duras penas, formar-se em medicina em 1856 na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.
Bezerra de Menezes ficou conhecido como o “médico dos pobres”, pois tem uma biografia extensa e exemplar de renúncia para com o dever cumprido, custe ele o que custar; sua conduta era de um bom cristão que praticava seu ideal de amor ao próximo.
- Dizia ele que o verdadeiro médico não tem o direito de acabar uma refeição, de escolher a hora, de inquirir se é longe ou perto. Aquele que não atende por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar-se cansado, por ser alta noite, mau o caminho ou o tempo, se o lugar fica longe ou no morro, o que sobretudo pede um carro a quem não tem com que pagar a receita, ou diz a quem chora à porta que procure outro, esse não é médico, é negociante de medicina, que trabalha para recolher capital e juros dos gastos da formatura. Esse é um desgraçado que manda para outro o anjo da caridade que lhe veio abrir as asas e lhe trazer a única espórtula que podia saciar a sede de riqueza do espírito.
Bezerra de Menezes casou-se com D.Maria Cândida de Lacerda que após 4 anos de casamento faleceu, deixando-lhe dois filhos pequenos, um de três anos e outro de 1 ano. Este fato produziu em Bezerra um abalo físico e moral. Todas as glórias mundanas que havia conquistado tornaram-se aborrecidas. Não tinha mais prazer em ler e escrever. Um dia um amigo lhe trouxe um exemplar da Bíblia, que ele leu e percebeu que tinha a necessidade de crer, mas não nesta crença imposta à fé, mas numa outra firmada na razão e na consciência. A volta à religião trouxera a paz novamente ao coração de Bezerra de Menezes.
Bezerra de Menezes também teve vida política. Quando convocado à política renuncia ao soldo militar a que fazia parte. Bezerra de Menezes foi vereador, deputado geral e até presidente da Câmara Municipal. Durante 20 anos esteve envolvido com a política, Bezerra foi muito querido e odiado. Prestou relevantes serviços ao município que o elegera e conquistou os foros de inteligente, ilustrado, ativo e honesto.
Em 21 de janeiro de 1865 casa-se novamente com D. Cândida Augusta de Lacerda Machado, irmã materna de sua 1ª mulher, e com quem teve 7 filhos.
Bezerra de Menezes conheceu o espiritismo em 1875, através de um exemplar de O Livro dos Espíritos, oferecido pelo seu tradutor, Dr. Joaquim Carlos Travassos. Nesse sentido, tão logo toma conhecimento do livro, não lhe fica difícil exclamar que era um “espírita de nascença”, ou um “espírita inconsciente”, pois tudo o que ali estava relatado lhe parecia familiar.
Em 1886 ante um auditório de pessoas da “melhor sociedade”, proclamava solenemente a sua adesão ao Espiritismo, tendo inclusive direito a uma nota publicada pelo jornal “O Paiz” em tons elogiosos.
Passou então a escrever livros que se tornariam célebres no meio espírita. Em 1889, como presidente da Federação Espírita Brasileira (FEB), iniciou o estudo metódico de “O Livro dos Espíritos” e conseguiu aglutinar o movimento espírita. Durante um período conturbado do movimento espírita manteve-se afastado do meio tendo hábito somente a freqüência ao Grupo Ismael no qual eram estudadas obras de Kardec e Roustaing.
Como médico que sempre atendeu a qualquer hora, institui a leitura do Evangelho e renuncia à medicina ortodoxa para aceitar, a convite dos Espíritos, a homeopatia. Podemos ver que Bezerra de Menezes era mais que um simples médico chegando-se mesmo a pensar se as curas que operava se deviam aos remédios homeopáticos que ministrava ou eram resultados dos fluidos energéticos de amor que emanavam a todo instante de sua alma. Ele receitava pelos lábios e pela pena. Pelos lábios: conselhos, vestidos de emoção e ternura, acordando nos consulentes o Cristão que dormia; pela pena, homeopatia, água fluídica e passes. E finalizava pedindo que cada um tivesse às mãos, no lar, o Grande Livro, O Evangelho Segundo o Espiritismo, que o lesse com alma, com sinceridade e confiança no seu Autor, Jesus Cristo! E como resultados eram promissores, cada doente deixava seu consultório satisfeito, melhorando, pois havia deixado lá dentro, o seu peso, a sua tristeza, algo que o oprimia.
Bezerra de Menezes não fora, como alguns de seus admiradores supõem, um despreocupado com o dia de amanhã, com a assistência à família, com o futuro dos seus queridos entes familiares.
Sabia, como poucos, ater-se à disciplina do necessário, a desprezar o supérfluo, a não se apegar às coisas materiais. Aceitava o pagamento dos clientes que lhe podiam pagar e dava aos pobres e estropiados o que podia dar, inclusive algo de si mesmo. Sua família jamais passou necessidade. Todos seus familiares lhe tiveram a assistência permanente e o alimento espiritual de seus bons exemplos. Preocupava-se com o futuro de seu Espírito e dos Espíritos daqueles que o Pai lhe confiou.
Bezerra de Menezes era um profundo conhecedor das ciências da vida e um filósofo por excelência. Nessas lutas, pouco se lhe dava que seus contendores ocupassem altos postos na política ou na administração pública, que gozassem do maior prestígio dos poderosos. Colocava, acima de seus interesses pessoais, a defesa do Espiritismo, desde que ela se fizesse necessária.
Bezerra de Menezes adoeceu vítima de anasarca (edema generalizado devido à infiltração de líquido seroso no tecido celular subcutâneo de todo o organismo), e com o corpo inchado e em plena doença, ainda hemiplégico (paralisia total ou parcial da metade lateral do corpo), atendia aos seus inúmeros doentes que o visitavam, enviando-lhe no aceno das mãos, no sorriso dos lábios ou pelo olhar manso e bom, consolações e testemunhos de confiança na Virgem Santíssima de quem era devotíssimo.
Foram quatro meses de longos sofrimentos atrozes, em seu modesto quarto onde a violentíssima doença o privara de qualquer movimento e da própria fala. Apenas seus lindos olhos verdes se moviam e falavam naquela linguagem misteriosa da expressão nascida da pureza de seu coração e da grandeza extraordinária de sua fé de apóstolo.
Bezerra de Menezes fez questão de que os remédios administrados para sua doença fossem prescritos pelas entidades espirituais, e de receber passes mediúnicos, indo os médiuns à sua residência, para esse fim caridoso.
No dia 11 de abril de 1900, sentindo que se aproximava seu desencarne, orou à Virgem Santíssima, advogada de nossas súplicas junto ao Divino Mestre e a Deus todo poderoso, pedindo dessa maneira que aproveitasse todo o sofrimento para pureza de seu espírito, e que a Mãe Santíssima não desamparasse os irmãos que ainda ficariam e que vinham até sua humilde residência buscar daquele humilde servo uma migalha de conforto e amor, e com humildade e devoção a Maria, Jesus e nosso Pai Celeste, desencarnou
Gente de todo o Rio de Janeiro, entre pobres e ricos vieram orar por Bezerra de Menezes, o médico dos pobres, o Kardec Brasileiro.
Bezerra de Menezes foi na Terra o extraordinário mensageiro do Evangelho, simbolizando na sua fé, na sua ação, no seu trabalho, no seu amor, nos seus pensamentos e na sublime caridade que praticava sempre em todas as horas de seu viver, continua ainda nas etéreas regiões, por intermédio dos mais diversos médiuns existentes em todo o Brasil, distribuindo as flores mais belas e mais viçosas, nascidas de seu coração aos que sofrem, gemem, choram e desesperam, em virtude de seus padecimentos físicos e morais. Continua a ser o médico dos necessitados, dos doentes do espírito e do corpo físico.
Fonte:
-Bezerra de Menezes o Medico dos Pobres - Editora Aliança - F. Acquarone
- Bezerra de Menezes - Canuto Abreu
- Site do Centro Espirita Ismael
- Site Nosso Sao Paulo

Caibar Schutel

Caibar Schutel, nasceu no dia 22 de setembro de 1868, no Rio de Janeiro, onde praticou em diversas farmácias e aos 17 anos de idade foi para o Estado de São Paulo, trabalhando como farmacêutico em Piracicaba, Araraquara e depois em Matão, cidade em que viveu durante 42 anos.

Possuidor de brilhante cultura, de grande prestígio social e sobretudo de notória autoridade moral, acabou sendo escolhido para o honroso e histórico cargo de primeiro Prefeito da cidade de Matão, cargo que ocupou por duas vezes, conforme consta das atas e dos registros históricos da municipalidade matonense.

Nascido em família católica, batizado aos 7 anos de idade, Cairbar Schutel cumpria suas obrigações perante a Igreja de Roma. Entretanto, já adulto e vivendo em Matão, passou a receber, em sonhos, a visita constante de seus falecidos pais, porque ele ficara órfão de ambos com menos de 10 anos de idade. Insatisfeito com as explicações de um padre para o fenômeno, Schutel procurou Quintiliano José Alves e Calixto Prado, que realizavam reuniões de práticas espíritas domésticas, logrando então entender a realidade do mundo extrafísico.Convertido ao Espiritismo, cuidou logo de legalizar o Grupo ,hoje Centro Espírita Amantes da Pobreza. Resolvido a difundir a Doutrina Espírita pelos quatro cantos do mundo - e mesmo vivendo em uma pequena e modesta cidade no interior do Brasil -, o "Bandeirante do Espiritismo", como ficou conhecido Cairbar Schutel, fundou o jornal "O Clarim" no dia 15 de agosto de 1905, e a RIE - Revista Internacional de Espiritismo no dia15 de fevereiro de 1925, ambos circulando até hoje. Escritor fértil, entre 1911 e 1937 escreveu os livros O batismo, Cartas a esmo, Conferências radiofônicas, Histeria e fenômenos psíquicos, O diabo e a igreja, Espiritismo e protestantismo, O espírito do cristianismo, Os fatos espíritas e as forças X..., Gênese da alma, Interpretação sintética do apocalipse, Médiuns e mediunidades, Espiritismo e materialismo, Parábolas e ensinos de Jesus, Preces espíritas, Vida e atos dos apóstolos, A questão religiosa, Liberdade e progresso, Pureza doutrinária, A vida no outro mundo e Espiritismo para crianças. Para publicá-los, Schutel não mediu esforços e assim surgiu a Casa Editora O Clarim, que hoje emprega inúmeros funcionários em Matão, tendo publicado mais de cem títulos de obras de renomados autores, encarnados e desencarnados.Casou-se com Dna. Maria Elvira da Silva e Lima, no dia 31 de agosto de 1905; o casal Schutel não teve filhos carnais, porém sua dedicação aos semelhantes ficou indelevelmente marcada na história de Matão, uma vez que ambos jamais deixaram de atender aqueles que os procuravam. Depois de curta enfermidade, Cairbar Schutel faleceu em Matão, no dia 30 de janeiro de 1938. O prestigioso jornal 'A Comarca', de Matão, em sua edição de 6 de fevereiro de 1938, consignou o seguinte: "É absolutamente impossível em Matão falar-se quer da nossa história passada, quer da nossa história atual sem mencionar Cairbar Schutel. Cairbar Schutel foi, para Matão, um dínamo propulsor do seu progresso, um arauto dedicado e eloqüente das suas aspirações de cidade nascente. Mais do que isso foi o homem que, como farmacêutico, acorria com o seu saber e com a sua caridade à cabeceira dos doentes, naqueles tempos em que o médico era ainda nos sertões que beiravam o 'Rumo', uma autêntica 'avis rara'.Dizem algumas comunicações mediúnicas que o Espírito Cairbar Schutel está, no mundo espiritual, encarregado pela divulgação do Espiritismo na Terra; sendo confirmada tal informação, essa nobre tarefa está muito bem dirigida, porque o movimento espírita deve muito ao querido "Bandeirante do Espiritismo", assim como à sua digníssima esposa Dª. Maria Elvira da Silva Schutel, pois, como diz a sabedoria popular, ao lado de um grande homem há sempre uma grande mulher!

Chico Xavier

No dia 02 de abril de 1910, nasceu em Pedro Leopoldo (MG), Francisco Cândido Xavier, filho de um casal simples, seu pai um operário e sua mãe uma lavadeira. Ficou órfão de mãe aos 5 anos.

Passando por dificuldades, seu pai entregou alguns de seus nove filhos aos cuidados de amigos e parentes, Chico Xavier ficou aos cuidados de sua madrinha, uma mulher que o maltratava.

Ainda menino aprendeu a se manter calmo e calado em momentos de sofrimento, pois sofria agressões de sua madrinha, nestes momentos se dirigia ao quintal da casa a fim de reencontrar sua mãe, ele sempre a via e a escutava após fazer orações.

Algum tempo depois seu pai se casou novamente com uma mulher boa e caridosa. Ainda em dificuldade sua madrasta iniciou uma horta em casa e logo, para o sustento da família, começaram a vender legumes, com o dinheiro Chico Xavier voltou a freqüentar a escola em 1919.

Quando saiam todas as pessoas da casa, uma de suas vizinhas começou a roubar os legumes da horta, e isso estava causando problemas para a família de Chico; sua madrasta sugeriu então, que Chico consultasse sua mãe ,que deu o seguinte conselho: disse que não deveriam brigar com os vizinhos e que toda vez que sua madrasta se ausentasse, que desse a chave da casa à vizinha, para que ela tomasse conta da casa. Dessa forma, a vizinha, responsável , não roubou mais os legumes.

Passado os problemas, Chico não via mais sua mãe com tanta freqüência, mas começou a ter sonhos e se levantava durante a noite para falar com pessoas invisíveis, e pela manhã contava histórias de pessoas que já haviam morrido. Sem que conseguisse compreender, seu pai o levou até um vigário, que disse que um demônio estava perturbando o menino.

Ao conversar com sua mãe, triste por não ser compreendido por ninguém, escutou dela que precisava modificar seus pensamentos, que não deveria ser uma criança indisciplinada, para não ganhar antipatia dos outros. Deveria aprender a se calar e que, quando se lembrasse de alguma lição ou experiência recebida em sonho, que ficasse em silêncio.

E durante 7 anos consecutivos, de 1920 a 1927, ele não teve mais qualquer contato com sua mãe. Seguia a religião católica participando dos ritos. Em 1923 concluiu o ensino primário, e começou a trabalhar numa fábrica. Em 1925 deixou a fábrica, empregando-se na venda do Sr. José Felizardo Sobrinho.

Os sonhos continuavam, e logo depois de dormir entrava em transe profundo. Em 1927 sua irmã ficou doente, e um casal de espíritas, reunido com familiares da doente, realizaram a primeira sessão espírita que teve lugar na casa. Na mesa, dois livros: "O Evangelho Segundo o Espiritismo" e o "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec. Pela mediunidade de D. Carmem, sua mãe manifestou-se: "Meu filho, eis que nos achamos juntos novamente. Os livros à nossa frente são dois tesouros de luz. Estude-os, cumpra com seus deveres e, em breve, a bondade divina nos permitirá mostrar a você seus novos caminhos. "

Sua professora D. Rosália descobriu sua mediunidade psicográfica, vendo os textos que Chico escrevia após passeio feito nos campos, ela notava que Chico sempre tirava as melhores notas, e escrevia uma verdadeira página literária sobre o amanhecer e daí tirando conclusões evangélicas.

Rosália mostrou aos amigos íntimos a composição e todos foram unânimes em reconhecer que aquilo, se não fora copiado, era então dos espíritos. Ao entrar para o funcionalismo público, como datilógrafo, na Fazenda Modelo do Ministério da Agricultura, começa a demonstrar sua admiração pela natureza.

Distante da cidade, Chico entra cada vez mais em contato com a natureza. Vê em tudo poesia e oração, trata as árvores como irmãs e compreende como poucos, a alma do grande todo.

Em maio de 1927 foi realizada a primeira sessão espírita no lar dos Xavier, em Pedro Leopoldo. Em junho do mesmo ano foi cogitada a fundação de um núcleo doutrinário. E no final de 1927 o Centro Espírita Luiz Gonzaga, sediado na residência de José Cândido Xavier, que se fez presidente da instituição, estava bem freqüentado.

As reuniões se realizavam às segundas e sextas-feiras. A nova sede do Grupo Espírita Luiz Gonzaga foi construída no local onde se erguia, antigamente, a casa de Maria João de Deus, mãe de Chico Xavier.

No dia 8 de julho de 1927, Chico Xavier fez a primeira atuação do serviço mediúnico, em público. Seu primeiro livro psicografado foi publicado em 1931. No mesmo ano Chico passou a receber as primeiras poesias de "Parnaso de Além - Túmulo", que foi lançado em julho de 1932. Em 1950, Chico Xavier havia recebido, pela sua psicografia, mais de 50 ótimos livros..

O primeiro contato de Chico Xavier com Emmanuel foi em 1931.
Buscando um refúgio tranqüilo para meditar e orar, o médium vai até um açude, situado nas proximidades de Pedro Leopoldo e lá se depara com a figura imponente de um ser vestido com túnica típica dos sacerdotes. Era Emannuel que se apresentou a Chico dentro de uma cruz que emitia reflexos dourados, explicando que o acompanhava, o tutelava há muito tempo:
- Tenho seguido seus passos, e só hoje me vês, na tua existência de agora,
mas, os nossos espíritos se encontram unidos pelos laços mais santos da vida e o sentimento afetivo que me impele para o teu coração tem raízes na noite profunda dos séculos.

A aparição de Emannuel, tinha entretanto, um objetivo determinado: o de
fazer com Chico iniciasse um longo trabalho de psicografia de textos espíritas. Para isso o espírito lhe fez algumas exigências:
- Está mesmo disposto a trabalhar na mediunidade?

- Sim, se bons espíritos não me abandonarem.

- Você não será desamparado, mas, para isso é preciso que trabalhe, estude e se esforce no bem.

- O senhor acha que estou em condições de aceitar o compromisso?

- Perfeitamente, desde que respeite os três pontos básicos para o serviço.

Diante do silêncio do desconhecido, Chico indagou:
- Qual o primeiro ponto?
- Disciplina

- E o segundo?
- Disciplina

- E o terceiro?
- Disciplina

Chico Xavier concordou com as três exigências, mas, Emannuel ainda iria lhe indicar novos procedimentos:
- Temos algo a realizar. Trinta livros para começar.

Tal exigência entretanto, assustou Chico. Trabalhando como caixeiro no armazém de Felizardo Sobrinho, ele mal tinha condições de sustentar os 14 irmãos, já que seu pai era um simples vendedor de bilhetes de loteria.
Como, então, escrever e publicar 30 livros se nem dinheiro para comprar papel e lápis tinha? Emannuel o tranquilizou:
- Os livros chegarão por caminhos inesperados.

Após esse primeiro contato, Emannuel passou a ter uma relação muito estreita com Chico Xavier. Foi responsável pela produção, através do médium, das mais variadas páginas, sobre os mais diversos assuntos.
Assumindo a posição de guia espiritual, orientou-lhe os passos, exigindo-lhe, sempre uma postura austera.
Se tornou conhecido no Brasil e no mundo inteiro. O Parnaso de Além Túmulo, por si só, valia pelo mais legítimo dos documentos, validando-lhe o instrumental mediúnico, o mais completo e seguro que o Espiritismo tem tido para lhe revelar a verdade.

Em 5 de janeiro de 1959 mudou-se para Uberaba, sob a orientação dos Benfeitores Espirituais, iniciando nessa mesma data, as atividades mediúnicas, em reunião pública da Comunhão Espírita Cristã. Deu ele, então, início à famosa peregrinação. Aos sábados, saindo da "Comunhão Espírita-Cristã", o bondoso médium visitava alguns
lares carentes, levando-lhes a alegria de sua presença amiga, acompanhado por grande número de pessoas.

A cidade de Uberaba, desde a sua vinda para cá, transformou-se num pólo de atração de inúmeros visitantes das mais variadas regiões do Brasil, e até mesmo do exterior, que aqui aportam com o objetivo de conhecer o médium.

Seu trabalho sempre consistiu na divulgação doutrinária e em tarefas assistenciais, aliadas ao evangélico serviço do esclarecimento e reconforto pessoais aos que o procuram. Os direitos autorais de seus livros publicados, em torno de 340, são cedidos, gratuitamente, às editoras espíritas ou a quaisquer outras entidades.

Quanto à fortuna material, ele continua tão pobre quanto era. Chico era um homem aposentado e recebia somente os proventos de sua aposentadoria. Do ponto de vista espiritual, Chico Xavier é, a cada dia que passa, um homem mais rico: multiplicou os talentos que o Senhor lhe confiou, através de seu trabalho, de sua perseverança e da sua humildade em serviço.

Mesmo com a saúde debilitada, Chico Xavier continuou, a sua condição de um autêntico missionário do Cristo, continuou a comparecer às reuniões do Grupo Espírita da Prece.

No dia 30 de junho de 2002, enquanto os Brasileiros comemoravam a conquista de um campeonato mundial de futebol; em Uberaba, Minas Gerais, Chico Xavier desencarna.

Fonte :
Sites: www.minuto.poetico.nom.br/chico04