Bezerra de Menezes como era conhecido, era descendente de família
antiga do Ceará, que era ligada ao militarismo e a política,
foi educado na religião católica. Sua família se
muda para o Rio Grande do Norte em 1842, decorrente de perseguição
política. Sendo Bezerra de Menezes muito inteligente, fez dois
anos de língua de latinidade antiga de modo que chegou a substituir
o professor.
Em 1946 volta com sua família para o Ceará onde conclui
seus estudos preparatórios no Liceu, como primeiro aluno.
Em 1952 foi para o Rio de Janeiro onde ingressou como estudante de medicina
no Hospital da Santa Casa de Misericórdia. Para custear os estudos,
dava aulas particulares de Filosofia e de Matemática. Conseguiu
às duras penas, formar-se em medicina em 1856 na Faculdade de Medicina
do Rio de Janeiro.
Bezerra de Menezes ficou conhecido como o “médico dos pobres”,
pois tem uma biografia extensa e exemplar de renúncia para com
o dever cumprido, custe ele o que custar; sua conduta era de um bom cristão
que praticava seu ideal de amor ao próximo.
- Dizia ele que o verdadeiro médico não tem o direito de
acabar uma refeição, de escolher a hora, de inquirir se
é longe ou perto. Aquele que não atende por estar com visitas,
por ter trabalhado muito e achar-se cansado, por ser alta noite, mau o
caminho ou o tempo, se o lugar fica longe ou no morro, o que sobretudo
pede um carro a quem não tem com que pagar a receita, ou diz a
quem chora à porta que procure outro, esse não é
médico, é negociante de medicina, que trabalha para recolher
capital e juros dos gastos da formatura. Esse é um desgraçado
que manda para outro o anjo da caridade que lhe veio abrir as asas e lhe
trazer a única espórtula que podia saciar a sede de riqueza
do espírito.
Bezerra de Menezes casou-se com D.Maria Cândida de Lacerda que após
4 anos de casamento faleceu, deixando-lhe dois filhos pequenos, um de
três anos e outro de 1 ano. Este fato produziu em Bezerra um abalo
físico e moral. Todas as glórias mundanas que havia conquistado
tornaram-se aborrecidas. Não tinha mais prazer em ler e escrever.
Um dia um amigo lhe trouxe um exemplar da Bíblia, que ele leu e
percebeu que tinha a necessidade de crer, mas não nesta crença
imposta à fé, mas numa outra firmada na razão e na
consciência. A volta à religião trouxera a paz novamente
ao coração de Bezerra de Menezes.
Bezerra de Menezes também teve vida política. Quando convocado
à política renuncia ao soldo militar a que fazia parte.
Bezerra de Menezes foi vereador, deputado geral e até presidente
da Câmara Municipal. Durante 20 anos esteve envolvido com a política,
Bezerra foi muito querido e odiado. Prestou relevantes serviços
ao município que o elegera e conquistou os foros de inteligente,
ilustrado, ativo e honesto.
Em 21 de janeiro de 1865 casa-se novamente com D. Cândida Augusta
de Lacerda Machado, irmã materna de sua 1ª mulher, e com quem
teve 7 filhos.
Bezerra de Menezes conheceu o espiritismo em 1875, através de um
exemplar de O Livro dos Espíritos, oferecido pelo seu tradutor,
Dr. Joaquim Carlos Travassos. Nesse sentido, tão logo toma conhecimento
do livro, não lhe fica difícil exclamar que era um “espírita
de nascença”, ou um “espírita inconsciente”,
pois tudo o que ali estava relatado lhe parecia familiar.
Em 1886 ante um auditório de pessoas da “melhor sociedade”,
proclamava solenemente a sua adesão ao Espiritismo, tendo inclusive
direito a uma nota publicada pelo jornal “O Paiz” em tons
elogiosos.
Passou então a escrever livros que se tornariam célebres
no meio espírita. Em 1889, como presidente da Federação
Espírita Brasileira (FEB), iniciou o estudo metódico de
“O Livro dos Espíritos” e conseguiu aglutinar o movimento
espírita. Durante um período conturbado do movimento espírita
manteve-se afastado do meio tendo hábito somente a freqüência
ao Grupo Ismael no qual eram estudadas obras de Kardec e Roustaing.
Como médico que sempre atendeu a qualquer hora, institui a leitura
do Evangelho e renuncia à medicina ortodoxa para aceitar, a convite
dos Espíritos, a homeopatia. Podemos ver que Bezerra de Menezes
era mais que um simples médico chegando-se mesmo a pensar se as
curas que operava se deviam aos remédios homeopáticos que
ministrava ou eram resultados dos fluidos energéticos de amor que
emanavam a todo instante de sua alma. Ele receitava pelos lábios
e pela pena. Pelos lábios: conselhos, vestidos de emoção
e ternura, acordando nos consulentes o Cristão que dormia; pela
pena, homeopatia, água fluídica e passes. E finalizava pedindo
que cada um tivesse às mãos, no lar, o Grande Livro, O Evangelho
Segundo o Espiritismo, que o lesse com alma, com sinceridade e confiança
no seu Autor, Jesus Cristo! E como resultados eram promissores, cada doente
deixava seu consultório satisfeito, melhorando, pois havia deixado
lá dentro, o seu peso, a sua tristeza, algo que o oprimia.
Bezerra de Menezes não fora, como alguns de seus admiradores supõem,
um despreocupado com o dia de amanhã, com a assistência à
família, com o futuro dos seus queridos entes familiares.
Sabia, como poucos, ater-se à disciplina do necessário,
a desprezar o supérfluo, a não se apegar às coisas
materiais. Aceitava o pagamento dos clientes que lhe podiam pagar e dava
aos pobres e estropiados o que podia dar, inclusive algo de si mesmo.
Sua família jamais passou necessidade. Todos seus familiares lhe
tiveram a assistência permanente e o alimento espiritual de seus
bons exemplos. Preocupava-se com o futuro de seu Espírito e dos
Espíritos daqueles que o Pai lhe confiou.
Bezerra de Menezes era um profundo conhecedor das ciências da vida
e um filósofo por excelência. Nessas lutas, pouco se lhe
dava que seus contendores ocupassem altos postos na política ou
na administração pública, que gozassem do maior prestígio
dos poderosos. Colocava, acima de seus interesses pessoais, a defesa do
Espiritismo, desde que ela se fizesse necessária.
Bezerra de Menezes adoeceu vítima de anasarca (edema generalizado
devido à infiltração de líquido seroso no
tecido celular subcutâneo de todo o organismo), e com o corpo inchado
e em plena doença, ainda hemiplégico (paralisia total ou
parcial da metade lateral do corpo), atendia aos seus inúmeros
doentes que o visitavam, enviando-lhe no aceno das mãos, no sorriso
dos lábios ou pelo olhar manso e bom, consolações
e testemunhos de confiança na Virgem Santíssima de quem
era devotíssimo.
Foram quatro meses de longos sofrimentos atrozes, em seu modesto quarto
onde a violentíssima doença o privara de qualquer movimento
e da própria fala. Apenas seus lindos olhos verdes se moviam e
falavam naquela linguagem misteriosa da expressão nascida da pureza
de seu coração e da grandeza extraordinária de sua
fé de apóstolo.
Bezerra de Menezes fez questão de que os remédios administrados
para sua doença fossem prescritos pelas entidades espirituais,
e de receber passes mediúnicos, indo os médiuns à
sua residência, para esse fim caridoso.
No dia 11 de abril de 1900, sentindo que se aproximava seu desencarne,
orou à Virgem Santíssima, advogada de nossas súplicas
junto ao Divino Mestre e a Deus todo poderoso, pedindo dessa maneira que
aproveitasse todo o sofrimento para pureza de seu espírito, e que
a Mãe Santíssima não desamparasse os irmãos
que ainda ficariam e que vinham até sua humilde residência
buscar daquele humilde servo uma migalha de conforto e amor, e com humildade
e devoção a Maria, Jesus e nosso Pai Celeste, desencarnou
Gente de todo o Rio de Janeiro, entre pobres e ricos vieram orar por Bezerra
de Menezes, o médico dos pobres, o Kardec Brasileiro.
Bezerra de Menezes foi na Terra o extraordinário mensageiro do
Evangelho, simbolizando na sua fé, na sua ação, no
seu trabalho, no seu amor, nos seus pensamentos e na sublime caridade
que praticava sempre em todas as horas de seu viver, continua ainda nas
etéreas regiões, por intermédio dos mais diversos
médiuns existentes em todo o Brasil, distribuindo as flores mais
belas e mais viçosas, nascidas de seu coração aos
que sofrem, gemem, choram e desesperam, em virtude de seus padecimentos
físicos e morais. Continua a ser o médico dos necessitados,
dos doentes do espírito e do corpo físico.
Fonte:
-Bezerra de Menezes o Medico dos Pobres - Editora Aliança - F.
Acquarone
- Bezerra de Menezes - Canuto Abreu
- Site do Centro Espirita Ismael
- Site Nosso Sao Paulo
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