Edgard Armond nasceu a 14 de junho de 1894, em Guaratinguetá, Estado de São Paulo, filho de Henrique Ferreira Armond e Leonor Pereira de Souza.

Em 1914, alista-se na Força Pública do Estado, ingressando dois anos depois na Escola de Oficiais, como 1o Sargento. Casou-se com a Sra. Nancy de Menezes, filha do Marechal do Exército Felix de Menezes. O casal teve seis filhos.

De sua trajetória profissional podemos destacar: foi professor de História. Geografia e Geometria da Escola da Força Pública, assumiu o sub-comando da Escola de Oficiais, organizou a Inspetoria Administrativa, chegando ao posto de Tenente-Coronel. Construiu a estrada que liga Paraibuna a São Sebastião ( SP) facilitando em muito a vida da população do litoral norte. Permaneceu na Força Pública até 1938, quando sofreu um grave acidente de carro que culminou com o seu afastamento do setor público. Foi reformado (aposentado) em 1940.

Foi um grande estudioso das religiões e filosofias, concentrando-se, quando jovem, nos conhecimentos orientais. Entrou para a Maçonaria ( 1921 ) e chegou ao grau de Mestre. Tinha um grande conhecimento da literatura espírita.

Em 1939 participou na Associação das Classes Laboriosas de uma comemoração a Kardec, onde ouviu vários líderes espíritas, entre eles: João Batista Pereira, Lameira de Andrade, Américo Montagnini, e também o médium Chico Xavier, que iniciava sua tarefa mediúnica.

Nesta época ele estava convalescendo do grave acidente e já estava sendo levado a trabalhos de cooperação espírita, auxiliando pessoas a preparar palestras e conferências.

Neste mesmo ano é eleito, pelo então presidente da Federação Américo Montagnini, como Secretário Geral da Federação, exerceu o cargo pelo período de 1940 a 1960.

A direção espiritual da Casa foi assumida pelo Dr. Bezerra de Menezes e, através de comunicação mediúnica transmitiu a frase conhecida: “No mundo, o Brasil;no Brasil, esta terra tem o nome do grande Apóstolo; e aqui esta nossa casa, que será um farol a iluminar a Humanidade.”

Os trabalhos foram se desenvolvendo e foram elaboradas as primeiras instruções e publicações: Contribuições ao Estudo da Mediunidade, Mediunidade de Prova, Desenvolvimento Mediúnico, e Missão Social dos Médiuns.

Em 1944 é criado o jornal “O Semeador” e o programa “ Hora Espírita “ para a difusão, das novas diretrizes e movimento geral da Casa. O jornal foi registrado em nome do comandante Edgard Armond. Ficou conhecido como comandante por ter pertencido a Força Pública.
Nota: Nesse jornal, o comandante, até fevereiro de 1972, publicou 425 artigos de colaboração contínua.

No final da década de 40, quando Armond, na Federação Espírita do Estado de São Paulo, dava início ao grande movimento de evangelização, através da Escola de Aprendizes do Evangelho, adeptos de Razin constataram uma notável identificação de ideais, e passaram a apoiar definitivamente a iniciativa de Armond. Com a formação da primeira turma de Escola de Aprendizes do Evangelho, o Plano Espiritual, na pessoa de Razin, propôs a criação, no plano material, da Fraternidade dos Discípulos de Jesus, como uma extensão da Fraternidade do Trevo.

Em 1950 foi publicado um livreto sobre “Passes e Radiações”, visando a novas diretrizes para os trabalhos iniciais de curas, além de vários outros livros, todos visando a criação de cursos e escolas especializadas, as primeiras medidas tomadas nesse sentido desde a Codificação e que deveriam mudar a feição e o rumo do Espiritismo em nosso Estado, em termos decididamente evangélicos.

Ao adoecer, em fins de 1965, o comandante, prosseguiu colaborando oficialmente, ainda por dois anos, até as eleições de 1967, quando solicitou seu afastamento definitivo, pedindo também dispensa dos serviços do Conselho, por não poder assumir compromissos de assíduo cumprimento. Dedica?se, desde então, e enquanto lhe foi possível, a colaborar a distância no setor da publicidade, da organização de centros e organizações espíritas, atuando na difusão evangélica e sua expansão, inclusive em países estrangeiros.

Em uma reunião em sua residência, em 4 de dezembro de 1973, foi fundada a Aliança Espírita Evangélica,sob o comando de Jacques Conchon e dirigida a distância por Armond, com a proposta de expandir, através da atuação dos Centros Espíritas Integrados a este programa, a expressão do aspecto religioso do Espiritismo.

Durante os primeiros anos de organização da Aliança, o comandante supervisionou a produção de novas obras editoriais, tanto para uso das Escolas de Aprendizes nos Grupos Integrados, que rapidamente se multiplicavam, como para formar o catálogo editorial da então nascente Editora Aliança.

Graças a este vigoroso impulso, bem como sua serenidade e experiência no trabalho espírita evangélico, a Aliança cresceu e expandiu?se tornando-se mais uma referência em termos de trabalhos doutrinários em nosso País.

A partir de 1980 o comandante também assessorou a formação do Setor 3 da Fraternidade dos Discípulos de Jesus, que reúne diversos Grupos Espíritas, igualmente vinculados à tarefa de expansão do Espiritismo Religioso através da imensa capacidade renovadora de consciências e corações constituída pela Escola de Aprendizes do Evangelho. Foi, também, pioneiro do movimento de unificação, tendo lançado a idéia de criação da USE - União das Sociedades Espíritas.

Por mais de 40 anos o movimento espírita brasileiro viveu impulsionado pelo seu dinamismo. Foi ele que sistematizou o estudo da Doutrina em termos evangélicos e estabeleceu cursos para auxiliar o desenvolvimento de médiuns.
Desencarnado em 1982 recebeu, em 1992, a Direção da Fraternidade dos Discípulos de Jesus no plano espiritual, tornando-se o seu venerável.
Armond nos deixou 28 Obras das quais destacamos : Métodos Espíritas de Cura, Exilados de Capela, Mediunidade, Passes e Radiações, O Redentor, Prática Mediúnica, Desenvolvimento Mediúnico, Guia do Aprendiz, Religiões e Filosofias, Vivência do Espiritismo Religioso, O Espiritismo e a Próxima Renovação e Guia do Discípulos.
No livro Verdades e Conceitos II, Armond declara:

“ O espírita esclarecido jamais é exclusivista ou sectário, porque o sectário é fanático e, portanto, espiritualmente inferiorizado; bem ao contrário, deve ser liberal, idealista e de mente universalizada, tanto nos conhecimentos como nos sentimentos, porque o fim da evolução é o universalismo do amor na unidade em Deus, e em Deus não há privilégios”.

Fontes: Jornal O Trevo – nºs 106, 305 a 312, 344 e 356.
Para saber mais leia: Edgard Armond, meu pai, e Edgard Armond, um trabalhador na Seara Espírita de Ismael Armond. Ed. Aliança.